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::ABC do Didgeridoo::
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Didgeridoo é um instrumento ancestral do povo Yolngu (Aborígenes Australianos)


O que é?
 Didgeridoo é um instrumento musical de sopro, consistindo de um tubo oco, geralmente de madeira. Normalmente tem forma cilíndrica ou cónica, de comprimento variável. O som varia conforme o tipo de material, comprimento, espessura, diâmetro, forma e técnica de tocar.

  Funciona como um amplificador, mas também altera os sons provocados pelos lábios, língua cordas vocais, bochechas, palato, glote, diafragma, etc. São incontáveis as variações sonoras que podem ser criadas. 
 
 Pode ser construído a partir de vários materiais como: bambu, madeira, agave, tubo de PVC, vidro, plástico, papelão, couro, cerâmica, etc. Pode ser feito de qualquer material que possa, natural ou artificialmente, tornar-se um tubo rígido.

 O Povo Yolngu utiliza tradicionalmente o eucalipto, visto que existem térmitas que tornam naturalmente ocas estas árvores. Este fenómeno existe apenas em algumas regiões da Austrália com um ecossistema particular.

Origem

 Uma das lendas que contam a Origem do Didgeridoo:

 "No início, tudo era frio e escuro. Bur Buk Boon ia preparar madeiras para o fogo, a fim de levar a protecção do calor e da luz para a sua família. Ao procurar madeira para a fogueira, Bur Buk Boon reparou num tronco oco e uma família de térmitas que o ocupava. Como não queria ferir as térmitas, Bur Buk Boon soprou para o interior do tronco. As térmitas foram lançadas em direcção ao céu nocturno, tornando-se nas primeiras estrelas a iluminar a paisagem. É devido ao movimento arqueado de Bur Buk Boon que distinguimos hoje a Via Láctea. Foi esta a primeira vez que o som Didgeridoo abençoou a Mãe Terra, protegendo-a com este som vibrante para a Eternidade..."


 Acredita-se que o Povo Yolngu é a mais antiga das culturas existentes actualmente. Ainda hoje transmitem cuidadosamente algumas das suas tradições mais ancestrais, em geral sob a forma de canções e histórias. Muitas destas são acompanhadas por um Didgeridoo, que não só serve como acompanhamento musical, mas que transmite ainda uma camada adicional de significado aos rituais em que se utiliza.



A Palavra "Didgeridoo"
 A maioria dos estudiosos do assunto considera que a palavra "Didgeridoo" é uma onomatopeia (palavra cuja pronúncia imita o som natural da coisa significada), inventada por ocidentais. Mas alguns consideram possível que seja uma derivação de duas palavras irlandesas: dúdaire ou dúidire, que tem vários significados, como "corneteiro", "fumante inveterado", "soprador", "pescoçudo", "abelhudo", "aquele que cantarola", "cantor de canções populares com voz macia e aveludada", e a palavra dubh, que significa "negro", ou duth, que significa "nativo".

 Na Austrália, há pelo menos 45 sinónimos para o nome Didgeridoo, dependendo da tribo ou da região. Estão entre esses sinónimos: bambu, bombo, kambu e pampuu, todos directamente se referindo a bambu, o que indica, entre outros estudos, que os primeiros Didgeridoos eram feitos de bambu. Há outros sinónimos que, na linguagem dos aborígenes, também têm alguma relação com bambu: mago, garnbak, illpirra, martba, jiragi, yiraki e yidaki, sendo esses dois últimos os nomes mais usados para Didgeridoo pelos aborígenes australianos.


Benefícios
 Mesmo para um ocidental como nós, o som do Didgeridoo intriga. Sob o impacto de seu som, é habitual identificarmos um silêncio profundo em quem o ouve. Parece que ele nos remete a lembranças primordiais que nosso consciente não consegue identificar, e é comum pessoas que nunca o ouviram antes comentarem sobre o seu som: “Sinto que ele me é muito familiar...”

 Em termos puramente físicos, o som grave do Didgeridoo provoca uma vibração que é sentida claramente no corpo de quem o recebe. Esta vibração funciona como uma "massagem" interna, proporcionando um agradável relaxamento. Além disto, a própria sonoridade deste instrumento parece levar-nos a um estado mais descontraído e aberto, mesmo quando a vibração do corpo não é sentida. Têm surgido cada vez mais terapias de som com Didgeridoo e outros instrumentos, as quais proporcionam facilmente estados de relaxamento profundo, altamente benéficos para a saúde física e mental.

 Tocar Didgeridoo aumenta a “abertura” respiratória, e auxilia significativamente o tratamento de algumas patologias. Numa pesquisa científica publicada pelo British Medical Journal, conclui-se que tocar Didgeridoo ajuda a reduzir o ressonar e a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, melhorando também a sonolência diurna decorrente desses dois distúrbios, provavelmente por fortalecer a musculatura das vias aéreas superioras, reduzindo assim a sua tendência de colapsar durante o sono (link para o artigo origial em inglês: http://www.bmj.com/cgi/content/full/332/7536/266).

 Parece também contribuir significativamente para o desenvolvimento da sensibilidade e intuição, ao promover uma percepção relaxada e fluida.

 O facto é: o Didgeridoo emite uma forte vibração quando é tocado, dando uma sensação de força e poder em quem o toca e uma sensação de magia em quem o ouve.


Outros Nomes do Didgeridoo:

A palavra ocidental Didgeridoo, sendo uma onomatopeia, pode ser escrita de diversas formas: didjeridu, didjeridoo, didgeridu, bem como as formas abreviadas didge, didj, didg...
Os povos Aborígenes utilizam diversos nomes específicos para cada tribo, clã ou região, tais como: yidaki, yedaki, yiraki, yiraga, yili-yiki, ulpirra, ilpirra, uluburu, kanbi, ganbi, ganbag, djalupi, djalupun, gunbark, mako, larwah, aritjuda, gurrmurr, lidding, džalubbu, ngorla, morlo, wuyimbarl, morle, dawurr, eboro, gurulung, kalumbu, yiraka, aritjuda, o-mol, garnbak, martba, jiragi, ngarrriralkpwina, yirtakki, wuyimba, artawirr, djibolu, martba, kurmur, ngaribi, paampu, bambu, entre outros.

 

Sons básicos do Didgeridoo

É muito difícil explicar por escrito o som do Didgeridoo, e ainda mais difícil descrever como se obtém. Além disso, uma das características mais fascinantes deste instrumento é que não há regras absolutas, e há sempre mais uma técnica que nunca ninguém explorou. Separámos aqui os sons fisicamente distintos na sua forma de tocar, mas esta separação não é estanque, nem muito menos completa. Trata-se apenas de uma forma de tornar alguma da informação mais importante acessível para quem começa a descobrir este instrumento.


Notar também que alguns dos termos que escolhemos utilizar, apesar de serem (tanto quanto nos é dado saber) os mais comuns em Portugal, não são universais, e pode existir alguma confusão ao falar com pessoas que utilizam outros termos.

Reforçamos portanto a ideia mais importante no mundo do Didgeridoo: não há regras absolutas.


  • Drone
É o som mais característico e fundamental, um som relaxante e vibrante. O termo "drone" vem do Inglês, e referia-se originalmente às abelhas-macho de uma colmeia, que não trabalham nem produzem mel. Posteriormente passou a significar também qualquer tipo de som monocórdico, grave e constante, devido ao zumbido característico destas abelhas.

Esta palavra é excelente para designar o som base do Didgeridoo, visto que este instrumento tem a particularidade de ter uma só nota fundamental constante, habitualmente bastante grave. Alguém que não preste muita atenção poderá achar que é um som monótono, por não haver uma melodia de várias notas, como acontece na maioria dos instrumentos que conhecemos.

O drone obtém-se facilmente vibrando os lábios de uma forma solta, como quem imita uma mota. Dependendo da anatomia dos lábios de cada pessoa e do instrumento que utilizam, pode demorar um pouco mais ou um pouco menos tempo a descobrir a forma certa de produzir esta vibração dos lábios, mas em geral alguns minutos são suficientes.

É extremamente importante alcançar um bom drone, com a pressão de ar adequada e uma boa colocação dos lábios. Isto requer apenas prática e uma atenção cuidada ao som que se está a produzir, e é o que irá posteriormente permitir a evolução de todos os outros sons.

Alterando a forma da boca, a posição da língua e bochechas, ou modificando qualquer zona por onde o ar passe antes de chegar ao Didgeridoo, altera-se o som produzido. Nomeadamente, ao conseguir um bom drone, é muito fácil fazer os chamados 
harmónicos, apenas colocando a boca na posição de uma vogal (o I e o O são particularmente acessíveis).
É importante notar que, ao fazer estes harmónicos, estamos apenas a alterar o timbre do drone. A nota fundamental mantém-se constante, tal como a pressão do ar, e não emitimos nenhum som adicional. Trata-se só de dar uma "forma" diferente ao som.

Com alguma prática, podemos alterar ligeiramente a nota do drone. É fácil fazer um drone um ou dois tons mais grave que o normal, dando origem a uma das únicas formas de criar uma melodia propriamente dita com o Didgeridoo. Fazê-lo mais agudo é mais dificil, a não ser que se aumente também significativamente a pressão exercida.

Ao alterar a pressão do ar e a velocidade com que ele é soprado, bem como fazendo "consoantes", criam-se ritmos.

É curioso o paralelismo que existe entre tocar Didgeridoo e falar, ou cantar com palavras. De facto, os povos Aborígenes ensinam este instrumento sob a forma de "canções", ou sequências de movimentos bucais com um significado e um ritmo. Quase todos os movimentos que efectuamos ao falar podem ser utilizados para tocar, e vice versa.


  • Voz
Uma das técnicas mais populares e vistosas é a adição de voz ao drone, sob a forma de gritos agudos. É muito fácil imitar sons de animais e muitos outros com esta técnica.

No entanto, a utilização da voz com o Didgeridoo vai muito além disto. Podem-se criar ressonâncias entre o drone e a voz, por exemplo, criando um efeito de batimentos.

Em ambos os casos, a ideia é libertar som a partir das cordas vocais, como se estivéssemos a cantar, gritar ou falar, mas sem perder o drone. Esta voz, em particular nas notas mais graves, vai interagir com a nota do Didgeridoo. Se a nota vocalizada tiver a precisão necessária, pode criar-se uma terceira vibração, conhecida em acústica como batimento. Em termos de som, dá a ideia de que o som 'treme', como num RR, em adição às notas do drone e da voz.

A voz é uma ferramenta muito versátil no Didgeridoo, e pode ser explorada de inúmeras formas. O fundamental é explorar, experimentar, ouvir com atenção o que se toca, e ir procurando gradualmente o som que queremos.

  • Toot
O toot é conhecido por alguns outros nomes, entre eles 'harmónico', 'som de trompete', etc. É a única técnica que é utilizada com ausência do drone, uma vez que é tocado tal como um trompete, aumentando a pressão do ar e dos lábios.

Muitas pessoas tocam um toot sem intenção, no início, quando estão à procura dos seus primeiros drones. É relativamente fácil para uma pessoa que tem esta tendência aprender a soltar os lábios até surgir um bom drone, e igualmente fácil para quem tem um drone razoável aprender a fazer um toot. A parte menos fácil está na transição entre os dois.

Podem ser alcançados vários toots num instrumento, numa sequência bem definida, progressivamente mais agudos e mais difíceis de alcançar. Cada didgeridoo tem a sua sequência particular, sendo que é substancialmente mais fácil de atingir toots nalguns instrumentos do que noutros.

Esta técnica é uma das mais activas, com maior potencial para ritmos fortes e bem marcados. É também uma das que exige mais prática, apesar de não ser propriamente difícil.




Respiração Circular

A respiração circular é o que permite o músico de didgeridoo prolongar o seu sopro durante um tempo quase "ilimitado", sendo uma das técnicas mais apreciadas pelo publico em geral na arte de tocar didgeridoo. Esta técnica é possível realizar de várias maneiras. Dentro do conceito da respiração circular existem várias técnicas na arte de tocar didgeridoo, a mais conhecida naturalmente é a técnica das bochechas, sendo esta considerada uma técnica base, pede-se a qualquer praticante de didgeridoo que explore as outras técnicas:

Tipos de respiração:

  • -Bochechas
  • -Diafragma
  • -Palato
  • -Costas
  • -Toot


Bocal

O bocal é a parte onde se coloca os lábios para se tocar didgeridoo. É possível encontrar bocais feitos por diversos tipos de materiais, o material mais conhecido é a cera de abelha, esta permite moldar o bocal da forma que se deseja, mas existe um problema com este material, no geral a cera de abelha facilmente se torna moldavel ao calor, isto torna um material demasiado frágil e facil de derreter quando o didgeridoo é exposto demasiado tempo ao calor ou quando é tocado bastante tempo. 

É possivel fazer bocais de madeira ou materiais identicos onde se possam trabalhar e no final cria-se um bocal fixo ao didgeridoo, que resiste ao calor e etc. Recomenda-se os bocais terem medidas entre 3cm a 3,5 de diametro, maior ou menor que estas medidas poderá ser dificil fazer algumas técnicas mais avançadas.



Bell / Big Bell

O "bell" ou "big bell" é a parte final do digeridoo, a diferença entre os dois vai com o formato. O palavra "big bell" nasce devido alguns didgeridoo na parte final terem um formato parecido a um sino de uma igreja, onde a parte final tem uma abertura maior. Por vezes este formato "big bell" pode ter várias formas, por isso não existe um formato "standart" . Um didgeridoo com "big bell" por norma tem uma maior amplificação de som

Atenção tocar num didgeridoo com "big bell" não quer dizer que este é melhor que um sem, por norma os didgeridoo´s "big bell" regista um maior concentração de sons graves , esta característica é bastante apreciada para performances de rua, mas para uma gravação de estúdio esta característica não é recomendável, pois os melhores didgeridoo´s são os didgeridoo que tem os sons graves, médios e agudos balanceados entre si.


Pressão/ Backpressure

Esta caracteristica torna-se importante no didgeridoo pois permite explorar técnicas e desenvolver uma maior tocabilidade. De salientar que a pressão de um didgeridoo em excesso pode ser prejudicial no desenvolvimento do som. Básicamente esta caracteristica faz com que o didgeridoo responda directamente a practicamente todas as técnicas, principalmente em relação aos toots, pois assim permite uma grande variedade de sons. Didgeridoos com uma excelente "backpressure" por norma tem uma forma cónica suavizada.



Notas do Didgeridoo

Todos os didgeridoo tem uma nota base no seu drone, depois podemos ter uma várias notas no seu toot. De salientar que nos toot´s é possível fazer mais que uma nota, mas nem todos os didgeridoo´s dão essa possibilidade devido à sua construção e tocabilidade. As notas podem ser "medidas" a partir da escala musical normal, vou indicar em escala portuguesa e escala internacional, pois normalmente a nível mundial eles dão outro nome às notas.

As notas possíveis nos didgeridoo´s são

LA  LA#  SI  DO  DO#  RÉ  RÉ#  MI  FÁ  FÁ#  SOL  SOL#  (Escala Portuguesa)

A     A#   B     C    C#     D    D#    E     F    F#     G      G#  (Escala internacional)

# é o meio tom que existe entre alguma notas, é chamado de Sustenido.

 

O texto foi escrito por Ricardo Branco, Ruben Branco e Tiago Simões. A quem desejar copiar ou usar este texto, pede-se o favor de pedir autorização à Associação Portuguesa de Didgeridoo.

 

Actualizado em Sexta, 12 Fevereiro 2010 09:47
 

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